domingo, agosto 02, 2015

Biografia do Mestre Vieira - Atualizada – 02/08/2015






Esta biografia foi montada a partir de documentos e conversas que tive com o amigo Mestre Joaquim Vieira a partir de 2007.
O Sr. Joaquim de Lima Vieira nasceu em 29 de Outubro de 1934. Natural da invasão do Itapoã, em Barcarena, Município do Pará que fica a aprox. 40 km da Capital, Belém. Filho do Sr. Zacarias Pinto Vieira, de origem Portuguesa e mecânico, e da Sra. Sofia Rosa de lima Vieira (lavradora). O pai do Mestre, segundo ele, não era amante de música, por este motivo aprendeu a tocar seu primeiro instrumento (banjo) aos 5 anos, assistindo escondido às aulas que seu irmão tinha. Com 5 anos de idade começou a tocar com seu irmão em festanças da redondeza... ainda escondido do pai! Posteriormente aprendeu cavaquinho e violão. Aos 10 anos montou com seus irmãos e primos um conjunto Regional (Regional dos irmãos do samba). Como seu pai não aprovava "este negócio de grupo Regional" (tocava música brasileira com instrumentos regionais, incluindo o Banjo), o Mestre resolveu perguntar-lhe que tipo de música gostava e qual instrumento lhe era agradável ouvir. Seu Zacarias falou que na sua terra natal (Portugal), os músicos tocavam vários estilos que lhe agradavam, incluindo o Fado, e que gostava muito do som do "Bandolim". O Mestre guardou estas palavras e numa ida à Belém com um de seus irmãos, deparou- se, em uma loja de instrumentos, com o famoso Bandolim. Como não podia comprar o instrumento, convenceu seu irmão, um excelente marceneiro, a fazer uma réplica do instrumento. Assim, com 15 anos aprendeu a tocar o Bandolim e foi convidado à participar de um concurso na Rádio Clube do Pará, vencendo com nota máxima com o choro, de sua autoria, intitulado "Te agasalho". Foi eleito, em meio a feras da época, o melhor solista do Pará, e só tinha 15 anos! Ainda ganhou duzentos cruzeiros:) Na mesma época que ganhou o título de melhor solista do Pará, Vieira foi convidado a registrar seu choro (te agasalho) em um moderno disco de 78 rotações. Gravou-se apenas uma cópia daquele choro maravilhoso... e por ironia do destino o mesmo caiu e quebrou... ele chorou por 8 dias...
A carreira do menino prodígio do interior seguiu e o grupo Regional continuou a tocar, junto com os grupos "Martelo de Ouro", "Los Crioulos" e a "Banda do Teixeira". Por um longo período, ele cultivou outro sonho: O de ser técnico em operação de rádio. Trabalhou por uns tempos para um amigo chamado Peixoto, fazendo alegorias para a escola de samba Boêmios da Campina. Surge neste período, o rádio a pilha... e Vieira, tempos depois, ganha um de presente de uma senhora vinda do Rio de Janeiro. Logo depois, seu Peixoto lhe dá material e equipamento e ele começa a montar e consertar rádios. 
Aos trinta anos de idade mestre Vieira aprendeu teoria musical e saxofone com o prof. Batock, vindo de Belém a convite da prefeitura de Barcarena. É convidado, então, a fazer parte da banda "Nossa Senhora de Nazaré". Com o passar do tempo só ficaram seis pessoas na banda, então formou-se a banda "Os Restantes" em 1972. Essa banda tocou em Barcarena por aproximadamente 3 anos. É importante salientar que o mestre teve seu primeiro contato com a guitarra depois de ter assistido a um filme, em um cinema de Belém. Nesse filme viu um homem tocar em um instrumento de "pau", com cordas e amplificado! Tempos depois ganhou uma guitarra, que chegou em sua casa desmontada. Vieira colocou cordas de violão nela, criou um amplificador e começou a trilhar o som ribeirinho...
Passados uns anos o seu Joaquim volta a tocar, formando o grupo "Vieira e seu conjunto" (1975). Aprendeu a tocar guitarra, com influência do choro e outros estilos, como o "foxtrot"... só tinha um problema... não possuía um amplificador e também não usufruía de energia elétrica. Com sua genialidade o Mestre montou um amplificador a pilha, que alimentava em baterias de automóvel! Vieira em 1976 é então descoberto pelo representante da Continental em Belém Jesus Couto. O menino Joaquim torna-se o criador da lambada e grava o clássico e pioneiro disco de sua carreira: Lambada das quebradas - outubro de 1978, gravado em 2 canais nos estúdios da Rauland, em Belém. Segundo Vieira o título "lambada das quebradas" foi dado porque ele e seu conjunto tocavam em qualquer lugar que convidassem (em qualquer quebrada). 
São vendidas 80 mil cópias, e seguiu-se com "lambada das quebradas volume 2", outro sucesso, destaque para as músicas "melô do bode" e "lambada do rei". Foram vendidas 230 mil cópias deste disco... sucesso total... Mas o Mestre não ficou milionário. A música de Mestre Vieira ultrapassou os solos brasileiros e chegou a Suíça, França e Inglaterra. Os ingleses negociaram com a Continental, sua gravadora na época, a regravação do lp "Lambada das quebradas volume 2" em Inglês, e seu som contagiante conquistou a Europa.
Em 1980 Vieira viaja para o Ceará com seu conjunto, a convite de um empresário que foi pessoalmente em Barcarena atrás do criador da tal lambada. Segundo meu saudoso amigo Cassiano Pereira, foram recebidos na rodoviária (Vieira se negou ir de avião) como verdadeiras celebridades. Tocaram na tv local e fizeram vários shows. Nesse período a música "Melô do Bode" já era um grande sucesso no nordeste. Conversando com o músico cearense Fernando Catatau em 2012 (gravação do dvd 50 anos de guitarrada), fiquei sabendo que até hoje essa música é lembrada por lá - ele, inclusive escolheu tocá-la com Vieira no show que fizemos no Teatro da Paz (assista o dvd Mestre Vieira 50 anos de Guitarrada). 
Em 1980, foi também coroado pelos gringos, Rei da Guitarra e da lambada. Em 2002, foi premiado pelos escoceses e ingleses como o melhor guitarrista do MUNDO.
A partir de 2004, Mestre Vieira viajou o Brasil e alguns países do mundo, como a Alemanha (onde tocou em plena Copa do Mundo), junto a outros 2 amigos (Aldo Sena e Curica), que formavam o famoso grupo Mestres da Guitarrada. Paralelo a este trabalho, manteve seu grupo original (Vieira e banda), que tem como baterista e tecladista dois de seus filhos. O show deste grupo é dividido em 2 partes: Banda show (1ªa parte) e Mestre Vieira (2ª parte, na qual o Mestre detona sua Ibanez tocando seus antigos e novos sucessos, em performances dignas de um monstro sagrado da guitarra... ele toca com pente, extintor, dentadura, pata de caranguejo... totalmente instrumental! Além de ser um dos maiores guitarristas do mundo, o Sr. Joaquim Vieira é também o artista de renome mais humilde e hospitaleiro que tenho notícia. É totalmente desprovido de ganância, amor por bens materiais e estrelismo. Vive em Barcarena, e não pretende sair de lá. Não é raro vê-lo nas ruas de Barcarena em sua bicicleta. Fala com todos, é amado por todos... infelizmente, só agora os brasileiros estão lhe dando o verdadeiro reconhecimento... coisa que os estrangeiros e o povo de sua terra sempre lhe deram... mas tudo bem, o importante é que ele está achando isso tudo uma "Coisa Maravilha".
Em outubro de 2008, Vieira foi homenageado com a Medalha de Honra ao Mérito Cultural.
Em 2012 foi gravado no Teatro da Paz, em Belém do Pará, o DVD “Mestre Vieira 50 anos de Guitarrada”. Também foi gravado, nessa época, o filme “Coisa Maravilha” (filmografia do mestre, produção da jornalista Luciana Medeiros).
Em 2014 foi gravado o documentário “Sotaque da Guitarra”, pela produtora Visceral Brasil.
Este ano o mestre participou da gravação do DVD da banda Calypso em Belém, na Praça do Relógio.
Atualmente o mestre está viajando o Brasil divulgando seu novo trabalho: Guitarreiro do Mundo.

Obs. Não me importo que usem esta biografia ou trechos dela em outros sites, mas peço que deem os devidos créditos.


Givaldo Miranda Pastana 

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